Em
cabo verde existem pessoas que vivem na miséria, em casas improvisadas sem
águas e sem energia eléctricas, pessoas com histórias de vida muito sofridas
contudo esperançosas pois a riqueza dos pobres é a humildade. Entretanto o
índice da pobreza vem diminuindo nos últimos anos, mas o país ainda apresenta
uma grande quantidade de pessoas em condições de miséria e este problema afecta
o desenvolvimento cognitivo de uma criança.
Por:Sidney Cardoso
Dia
após dia batalham contra as dificuldades na esperança de vidas melhores mas
vida amarga sempre surpreende com mais dificuldades, Conta Manuela, nome fictício,
dado pelo Praia online.
Abatida
diz que “a pobreza é para quem não tem sorte na vida”. Muita dificuldade vem
enfrentando desde que decidiu morar em Palmarejo, há mais de 20 anos. “ Vivia
no interior de Santiago com o meu filho, tínhamos uma vida razoável, mas decidi
vender tudo e aventurar na cidade da Praia” diz. Contudo a vida nunca mais foi
a mesma. A cidade da Praia não tinha “capacidade de dar resposta a todos que a
escolhia como o refúgio”.
Manuela
lembra, com lagrimas nos olhos, da sua vida quando jovem, diz-se arrepender de
ter deixado a sua terra natal por uma fantasia. Nesses 20 anos já teve mais
trés filhos, dois dos quais vive com ela, ãmbos não trabalham.
“Para
vivermos levanto todos os dias às 05 da manhã para procurar garrafas de cerveja
e vender”, afirma Manuela. Diz ainda que cada saco custa 100$00, para trazer
alguma coisa à casa, tem de procurar comida para os porcos e tambem vender, “
procuro nos contentores, nas casas dos conhecidos, em toda a parte”.
Esta
é a realidade da Manuela, a semelhança de muitas outras “Manuela” que vivem neste
País.
Carla
da Veiga é vendedeira de rua e conta que veio de Assomada para a Praia à
procura de melhores condições de vida.
"Sou
mãe e pai dos meus filhos e quando não tenho nada para lhes dar, sinto-me
bastante triste. A minha situação é complicada de mais”.
Muitas
Instituições criam projectos para combater a pobreza exemplo disso é a Fundação
Cabo-verdiana de Solidariedade.
A
FCS tem abrangência nacional e está presente em seis ilhas do arquipélago,
nomeadamente, Santiago, Fogo, Santo Antão, São Nicolau, Sal e São Vicente. Tem
ainda fomentado algumas iniciativas na diáspora, concretamente em São Tomé e em
Moçambique, onde através do programa Operação Esperança, tem permitido a
reabilitação de casas a cabo-verdianos que vivem em situações de carência
graves. Segundo a presidente da FCS, citada pelo Nós Genti “estas foram
experiências muito positivas que, certamente, irão ser repetidas em outras comunidades
cabo-verdianas fora do país. Temos um projeto concreto para a comunidade na
Guiné-Bissau que só ainda não se iniciou devido à conturbada situação políticaque a Guiné atravessa, mas assim que houver oportunidade, a nossa comunidade em
Bissau também receberá o apoio da FCS”. Para além do programa Operação
Esperança a FCS trabalha com o desenvolvimento e com a proteção das Crianças.
Pobreza prejudica o desenvolvimento
do cérebro na infância
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A falta de dignidade está presente ao seu
redor, a criança pobre faz o que pode para ajudar a pagar as despesas da
família. Batalha vendendo coisas na rua, catando lixos, por vezes lavando
carros com a sua esperança de sobrevivência. Embora ainda não saiba o seu
futuro já estava determinado quando nasceu; Para quem nasce pobre é muito,
muito difícil fugir dele. Por mais que se esforce, Por mais que tente
modificá-lo, mesmo que estude todas as lições de aula e de casa, mesmo assim ele
não estará representado nos diversos conteúdos, pois a dureza da sua vida não
está presente nas linhas e nem nas entrelinhas dos livros didácticos.
Samuel
Pereira uma criança de 12 anos vive no bairro de Tira-chapéu diz levantar-se
todos os dias às sete, às oito começa o seu dia de trabalho frente às paragens
de autocarros a vender rebuçados. Cabisbaixo diz que trabalha para ajudar a mãe
pois o pai morreu á 2 anos e “só restaram eu e a minha mãe que é doméstica e
mais dois irmãos que estudam de manha” afirma o supracitado.
Questionado
se gosta daquilo que faz, com uma cara vergonhosa, responde “quero ajudar a
minha mãe, mas, agora, neste momento poderia estar a estudar ou a brincar”,
afirma Samuel.
De
acordo com a psicóloga Edna Duarte professora de universidade de Cabo Verde, "é
fundamental aumentar o apoio por parte dos pais durante a primeira infância. É
importante proteger e melhorar o ambiente propício ao desenvolvimento das
crianças durante os primeiros anos de
vida". Edna Duarte faz um apelo aos políticos cabo-verdianos, afirmando que "Devem conduzir
as políticas públicas destinadas a melhorar e reduzir as desigualdades".
Ainda
frisa a psicóloga que a pobreza pode afectar o nível escolar isto porque uma má
alimentação pode afectar não só a força física mas também desenvolvimento
cognitivo do individuo falando mais particularmente da criança.
Muitos
cidadãos partilham da mesma opinião que a Psicóloga, exemplo disso é Marcos
Costa que frisa ser necessário Garantir condições para que as crianças possam
acessar direitos básicos, como educação, saúde, lazer, integridade física e
psicológica. Pois as crianças têm vindo a enfrentar inúmeras dificuldades
incluindo os abusos que sofrem durante a infância. ``
Neste país há uma tendência enorme desigualdade na distribuição de renda e
elevados níveis de pobreza. Um país desigual, exposto ao desafio histórico de
enfrentar uma herança de injustiça social que exclui parte significativa de sua
população do acesso a condições mínimas de dignidade e cidadania``.
A pobreza e a miséria marcaram
definitivamente a história do país
Desde
sempre grande contingente da população cabo-verdiana conviveu e continua a
conviver com situações de precariedade social e económica. Esta situação é
resultado de uma base produtiva débil e sobretudo de uma capacidade
insuficiente de geração de receitas para investimento capaz de absorver em
condições sustentáveis, parte.
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Presidente da INE- António Duarte |
O
presidente do INE António Duarte realçou
que os dados sobre a pobreza em Cabo Verde remontam a 2007, adiantando que
decorre actualmente um inquérito sobre esta matéria e que em 2016 haverá dados
actualizados.
"Na
questão da pobreza os dados que existem são os de 2007. Estamos a realizar o
inquérito e só depois da realização do inquérito estaremos em condições de
dizer se houve agravamento ou não da pobreza. Neste momento não temos elementos
para fazer nenhuma especulação", disse António Duarte,
Segundo
INE em 2007 a percentagem da população pobre, população vivendo abaixo do
limiar da pobreza (pessoas que vivem com menos de 49.485$ por ano) era de 26,6%
(QUIBB, 2007), sendo a maior incidência foi observada no concelho de Santa
Catarina do Fogo (59%) e a menor, na Ilha do Sal (4%).
De acordo com os dados de QUIBB 2007
(questionário unificado de indicadores), a profundidade da pobreza foi de 8,1%,
sendo que no meio urbano este valor foi de 3,3% e no meio rural de 14,3%. Em
relação a intensidade da pobreza, esta atingiu o valor de 3,4% em 2007, sendo
que no meio urbano foi de 1,3% enquanto no meio rural atingiu o valor de 6,3%.
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Alberto Augusto De Mello Lima |
Segundo
o vereador das infra-estruturas Câmara Municipal, Alberto Augusto De Mello Lima
Filho realça que têm feito muitas infra-estruturações, vários calcetamentos em
diferentes bairros sobre tudo em Tira Chapéu onde se verificou com mais
problemas aqui na cidade de Praia. Nestes trabalhos empregam diversos jovens
diz “o nosso projecto é sempre de criar novos empregos e em 2015 criamos cerca
de 2000 mil empregos”.
Em
relação às crianças diz sempre apostar na educação não cobrando nos jardins ou
mesmo, colocando preços mais acessíveis nestas e também nas escolas. Ainda
acrescenta que estão sempre criando novos centros de lazer de estudos para que
as crianças e adolescentes possam acompanhar as novas tecnologias.
A
cidade da Praia, capital do país e principal núcleo populacional da ilha tem
cerca de 150.000 habitantes (área urbana) tem visto a sua população aumentar
significativamente, pois continua sendo o lugar de maior preferência migratória
do país. Estima-se hoje que mais de metade das migrações internas em Cabo Verde
são feitas em direcção à cidade da Praia. Trata-se na maior parte dos casos de
migrações de populações camponesas, que procuram uma saída para a situação da
pobreza. Na realidade assiste-se à transferência da pobreza para esta cidade
aumentando assim a sua quota-parte na formação nacional.
Assim,
a cidade conheceu um ritmo de crescimento demográfico explosivo, o qual terá
induzido a um crescimento urbanístico igualmente explosivo mas também
desordenado, de tal forma que o planeamento urbano tem sido ultrapassado e os
serviços essenciais de água, saneamento do meio, energia eléctrica e outros são
permanentemente saturados. Crescem bairros espontâneos na periferia da cidade
que constituem as principais zonas de concentração da pobreza.
Nestes
bairros predominam situações de grave carência social, como por exemplo:
desemprego, a promiscuidade, a falta de condições habitacionais, a carência do
abastecimento de água, a insalubridade do meio ambiente, que por si só
acarretam outros problemas como abandono escolar, delinquência juvenil,
prostituição, droga e outros caminhos obscuros que podem levar mesmo à morte.
A pobreza como um problema global
O
conceito de pobreza pressupõe um conjunto de opções normativas, de juízos de
valor sobre padrões de vida, normas sociais, valores éticos, localizados no
tempo e no espaço.
A
pobreza global é caracterizada por “insuficientes rendimentos e recursos
produtivos que garantam condições de vida sustentáveis, fome e má nutrição,
doenças, acesso reduzido ou mesmo nulo a educação e a outros serviços básicos,
mortalidade e morbilidade crescentes resultantes de doença, sem casa ou
habitação inadequada, ambientes inseguros e discriminação social e exclusão. É
também caracterizada por falta de participação no processo de tomadas de
decisão e na vida civil, social e cultural. Note-se que não existe nestas
definições uma referência clara às liberdades e direitos humanos.
O
Programa Nacional de Luta contra a Pobreza (PNLP), que vem sendo executado
desde 2000 a esta parte, está integrado no Plano Nacional de Desenvolvimento
1997-2000 e no de 2002-2005, tendo como sub-programas: i) a integração dos
pobres na economia, ii) a melhoria do acesso social dos pobres, iii) a
mobilização social, iv) o reforço da capacidade institucional.
O
PNLP define como metas a atingir, a redução da taxa da pobreza, a erradicação
da pobreza absoluta, a elevação do rendimento médio das camadas que vivem
abaixo do limiar da pobreza, a melhoria da capacidade produtiva dos pobres, a
melhoria das infra-estruturas económicas e sociais das comunidades pobres e a reconversão
das FAIMO, viradas para os seguintes gruposalvo prioritários: mulheres,
sobretudo mulheres chefes de família; trabalhadores das FAIMO; desempregados e,
particularmente, jovens desempregados; grupos vulneráveis (idosos, portadores
de deficiências, crianças abandonadas, inválidos).
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